quarta-feira, 11 de maio de 2016

Review: Aoi Bungaku - Ningen Shikaku

 "A minha vida tem sido vergonhosa. 
Não consigo sequer imaginar como deve ser viver como um ser humano. "
- Não Humano. Dazai, Osamu


Nesse post (de uma série de 6 posts), tratarei do começo do animê de Aoi Bungaku, animê esse que é de outubro de 2009, mas que eu sei que poucos deram a devida atenção, e tem forte base na literatura Japonesa.

Inicio

Tudo começou lá para meados de setembro do ano de 2009, quando começaram a serem divulgada notícias sobre um animê que adaptaria obras literárias de alguns dos grandes autores japoneses, mas a maior surpresa não se deu apenas pelas obras (que eram obras influentes, cujo os autores, são nomes de Peso) e sim pelo fato de que a obra seria animada pelas mãos do grandioso estúdio Madhouse e que cada obra teria um autor da Shonen Jump (Fato que comentarei melhor quando entrar no contexto da história) assinando o designer dos personagens. E eis que dia 10 de outubro vai ao ar, na Nippon TV o primeiro episódio de Aoi Bungaku, na realidade vai ao ar a primeira obra literária: “Ningen Shikaku” (Não é Humano, numa tradução livre) de Osamu Dazai, e é sobre ela esse primeiro post.

Ningen Shikaku

A primeira obra do animê possui 4 episódios (A maior obra de todas desse animê, tendo em vista que todas as outras obras tiveram sua adaptação em 2 episódios em média) e é a mais carregada, para não dizer forte, tanto que não recomendo que pessoas com emocional fraco ou com mania de suicídio assistam a esses episódios, essa é também a última obra de Osamu Dazai e é um best seller no Japão (as vendas do livro ultrapassam 10 milhões de exemplares), talvez esse sucesso todo se dê pelo fato de que, logo após escrever esse livro, Dazai se suicidou junto a sua esposa.
A trama do animê se foca na vida de Oba Yozo, um estudante de arte que não é aquele exemplo de pessoa, chego a dizer que ele é aquele típico personagem covarde, com tendências suicidas e que renega totalmente sua condição humana, mas como covarde não consegue se matar por achar que pode envergonhar a família. Mas nesse ínterim de covardia, depressão e falta de caráter, ele encontra uma mulher em estado psicológico PIOR, veja bem o estado da mulher é PIOR que o dele, e nisso ambos combinam de se suicidarem por acharem que o mundo não vale porra nenhuma. MAS A VIDA É UMA CAIXINHA DE SURPRESAS! E na hora de se jogar para a morte…. APENAS A MULHER O FAZ! Isso mesmo querido leitor, apenas a mulher se suicida (se jogando no rio).
Yozo fica vivo, mas ainda se sente um traste e fica com a consciência pesada por ter empurrado a mulher para a morte (ela pediu que ele a empurrasse e fosse após ela, ele a obedece, porém quando ele vai pular, acaba vomitando os comprimidos de suicídio, logo quando ele se joga, ele acaba apenas se machucando, mas não morre).
E depois disso ele continua vivendo sua vida miserável, se agarrando aos poucos sopros de felicidade, que geralmente sempre envolvem mulheres, bebedeiras, drogas ou algo assim. Não é dificil imaginar o desfecho da obra, mas mesmo assim evitarei contar, para que, se lhe bater a curiosidade você assista e entenda o que quero dizer.

Considerações Técnicas

Como já disse anteriormente quem cuidou da animação foi o estúdio Madhouse que dispensa apresentações para o grande público, mas fica aqui a menção de que a animação é muito fluida e que não deixa a desejar e nem tem oscilações de qualidade, já o Character Design ficou por conta do Grandioso Takeshi Obata (Para os aliens que não associam o nome é o desenhista de Death Note e Bakuman) que já havia cuidado da arte da obra quando o livro foi relançado em solo japonês; e, sinceramente, o character design do Obata é perfeito e condiz muito com a narração empregada aqui, as expressões faciais do Yozo no último episódio chega a ser tão épica que me lembrou até a fatídica cena do Raito rindo em Death Note, em todo caso ponto para ele que assina também outra obra em Aoi Bungaku (Kokoro de Natsume Soseki, tratarei dela aqui no 3º post sobre Aoi Bungaku) e em ambas faz um belo trabalho de arte e deixa tudo até fácil para o diretor Morio Asaka fazer uma animação de nível alto e que faz jus ao complexo mundo que Dazai escreveu e que com o competente trabalho de Satoshi Suzuki fez a profundidade não ser perdida.
Como viciado em música deixo aqui meu destaque para Hideki Taniuchi que soube fazer OST’s tão perfeitas que chegou ao ápice de me fazer querer chorar nos momentos mais depressivos e me fez sentir quando a alegria do Yozo era plausível. No geral todo conjunto aqui fez uma excelente obra e cativou a todos que assistiram e fez com que eu me interessasse em ir atrás da obra escrita.

Considerações Finais

No fim das contas o saldo de total dessa primeira obra é bem positivo e vale a pena ser assistido por quem quer ver algo que não seja tão costumeiro e que não ligue de ver uma obra carregada por um alto teor psicológico.
Vale a menção aqui nas considerações finais que:
1º Essa obra apesar de parecer fictícia, tem muito (para não dizer TUDO) da vida pessoal do autor, tanto que a primeira tentativa de suicídio do Yozo, ocorreu também com o Dazai, ou seja, ele tentou se suicidar, mas saiu vivo e só a mulher que veio a morrer;
2º Dazai é um autor extremamente respeitado na terra do Sol Nascente, tanto que só em Aoi Bungaku tem duas séries de sua autoria animada;
3º A obra já foi publicada em vários países, menos no Brasil, porém dá para adquiri-la por meio de encomenda nas grandes livrarias.

Postar um comentário