segunda-feira, 2 de maio de 2016

Review - Battle Royale (Livro) & Battle Royale: Angels' Border

Apenas um pode sair vivo

Survive game, um gênero que é fonte sempre para as ideias mais distorcidas e brutais. Creio que todos os fãs de cultura pop já tiveram contato com alguma obra desse gênero e, talvez, tenham alguma obra assim como sua favorita.
Hoje irei falar de uma que, provavelmente, é a principal do gênero para quem é fã. Senhoras e senhores, sem mais delongas, hoje é dia de falarmos de Battle Royale. Preparem suas armas e vamos lá.

Sinopse (via Mangá host):

No Japão, num futuro próximo, é criado pelo estado, O Programa, um game show televisionado, onde turmas do primeiro ano do ensino médio são escolhidas para passar três dias numa ilha chamada Okishima, que só tem uma regra: Só um deve sobreviver, caso contrário todos são mortos. Sendo assim, as amizades devem ser jogadas no lixo, e os estudantes devem matar seus amigos e colegas para sobreviverem, prevalecendo a lei da sobrevivência do mais forte. Logo no inicio podemos presenciar a cena de uma garota que concluiu o programa, totalmente ensandecida.

Considerações Iniciais (Introdução à loucura):

Escrito por Koushun Takami, Battle Royale foi publicado em abril de 1999 como livro e logo de cara o livro já gerou polêmica devido a seu conteúdo e a violência apresentada no decorrer do livro. Mesmo polêmico o livro foi um sucesso comercial no Japão, chegando a marca de 1 milhão de cópias vendidas.
Com o sucesso a obra ganhou versão em live-Action e versão mangá. A versão em live-action estreou nos anos 2000 e fez sucesso suficiente para render uma continuação que estreou em 2003. No Brasil tivemos apenas o lançamento do primeiro filme em 2007, pela Visual Filmes e recebeu o nome de "Batalha Real", já o segundo filme só se acha por meios de fansubs.
Já no âmbito de mangás tivemos 3 séries de mangás: Battle Royale, Battle Royale 2: Blitz Royale e o Spin-Off: Battle Royale - Angels' Border. Os mangás Battle Royale e o Angels' Border já saíram no Brasil, o primeiro em idos de 2006 pela Conrad e foi concluído com 15 volumes publicados, mesmo aos trancos e barrancos (devido à crise que afetou a Conrad), já o Angels' Border foi publicado recentemente pela New Pop, com uma qualidade bem bacana. O Blitz Royale só por meio de scanlators.
Vale a menção que, com exceção dos filmes, todas as obras relacionadas à Battle Royale tiveram o envolvimento do Takumi nos roteiros. Isso é bom, por tornar o universo da série mais coeso e explicado.
Antes de seguirmos, aviso que pode haver pequenos spoilers da obra e que a resenha se divide em duas: Uma sobre o livro em si e outra sobre o Spin-Off Angels' Border. Sabendo disso, vamos prosseguir.

Battle Royale: Conceito em survive game

Vamos lá; como falar de uma obra recém lida e que eu queria muito ter em mãos desde que o mangá saiu em 2006, nos meus 13 anos? Lembro bem que quando ouvi sobre a obra a primeira vez fiquei em frenesi, até porque eu era jovem e queria mais ver sangue, morte e destruição. Quando descobri que o livro seria lançado por aqui, fiquei empolgado, pois finalmente poderia ler o livro da história que eu tanto desejei o mangá. Demorou bastante até eu finalmente ler a obra, pois ganhei de presente de aniversário de uma pessoa muito querida e só então que fui ler, mas dessa vez fiz a leitura com uma mentalidade diferente daquela de quando o mangá saiu e posso afirmar que a obra é tão atual quanto na época que saiu no Japão.
Creio que a palavra forte não define todo contexto o Takumi nos passa em sua obra. Nela ele explora uma sociedade que está em uma situação delicada e que necessita de freios para a juventude que, a cada dia mais, está sem controle e sempre faz de tudo para provar que podem mais que os órgãos governamentais, que por sua vez desenvolveu um método que cesse qualquer chance de rebelião, esse meio é o “jogo” ou “experimento”.
"E antes que me esqueça: há um limite de tempo. Ouçam bem. Um limite de tempo. Os estudantes vão morrendo aos poucos no Programa, mas se no final de vinte e quatro horas não houver nenhuma morte, o tempo regulamentar se encerra, não importando quantos estudantes sobraram… O computador entrará em ação e detonará a coleira de todos os estudantes remanescentes. Não haverá vencedor."
O Experimento consiste em mandar uma classe escolhida por sorteio para a ilha e lá as regras são simples: 42 alunos e só pode sobrar um. Óbvio que tem regras o jogo, uma delas é que se passar o prazo de 24 horas sem mortes, todos morrem; se pisarem em quadrante proibido fim de jogo e se desrespeitarem as regras as coleiras explodem. Tudo pode parecer bem simples, mas não é tão a Deus dará assim, pois tudo é explicado antes do início do jogo e todos os alunos sabem que precisam fazer se quiserem voltar para suas famílias. Escolhas difíceis, medidas extremistas.
E é nesse mundo canis extremista que o autor nos coloca a par de todos os 42 alunos, tal qual nos coloca próximos aos dramas que os mesmos passam, assim como explora bem os conflitos que muitos possuem nessa questão de matar ou não, pois querendo ou não, todos têm que seguir as regras, casos contrários morrerão. Claro que há aqueles que não querem jogar e acabam por apelar para parceiras e afins, mas em muitos casos o final acaba por ser doloroso.
"Não se preocupe com coisas que não dependem de você. Faça o que está a seu alcance mesmo que as probabilidades de sucesso sejam inferiores a um por cento".
No âmbito do jogo e do pensamento vou jogar e não vou jogar, temos nosso protagonista, Shuya Nanahara que é o típico protagonista boa pinta que deseja sempre o bem de todos. Ele é um personagem que junto a Noriko Nakagawa e Shogo possuem um desenvolvimento perfeito, na medida do possível, pois neles é que o autor joga os maiores dilemas, em especial em Shuya, porque ele é um herói, no melhor sentido da palavra; quer salvar a todos custe o que custar e isso faz, em muitos momentos, ele sofrer pelas consequências das escolhas feitas. Já Noriko e Shogo funcionam como suportes para ele, porém possuindo um brilho próprio que dá um gosto a mais a obra em um todo.
Além dos três temos vários outros personagens legais e que possuem histórias bem exploradas e que ganham destaques. Takumi não deixa a peteca cair e sabe como sustentar a narrativa alucinada que ele compôs de modo tão genial, nada ali é de graça e você descobre isso, às vezes, só quando é tarde.
Falando um pouco sobre a edição brasileira, posso dizer que ela está em uma produção impecável. É algo raro de se ver em livros que podem acabar tendo pouca viabilidade nesse mercado que é o de livros. Cabe a menção que todo livro foi traduzido direto do Japonês, assim como que as contracapas possuem o mapa da ilha e os quadrantes proibidos.
- Você é louco – ele disse. – Você está fora do seu juízo! Como pode ser assim? – Ele estava quase soluçando. – Um sistema deve ser algo conveniente ao povo. Não devemos ser escravos de nosso próprio sistema. Se você acha que esse país faz sentido, você é um retardado.
No Geral, para não me estender demais, o livro é ótimo e vale a procura e a leitura dele. Se você conseguir lê-lo com um bom rock, ele ficará ainda melhor. Óbvio que nesse ponto omiti muitas coisas que poderiam aguçar mais sua leitura, mas quero que você leia e sinta toda crítica que o Takumi nos impôs. Porque ele sabe como fazer você ver o mundo do jeito dele e, acredite, o jeito dele é perturbador. Super recomendado para quem curte survive game.

Battle Royale Angels’ Border: Inocência em meio ao desespero

Esse é um Spin-off que pode ser resumido como um complemento para o livro. Ele complementa, mais precisamente, a passagem do Farol e das meninas que lá estavam e o faz de modo magistral, dando todo peso necessário para que tudo seja entendido.
A obra é dividida em dois atos focando em personagens diferentes. O primeiro deles é focado na representante de classe, Yukie Utsumi e Haruka Tanizawa, mais precisamente focada nos sentimentos que a Haruka nutre pela Yukie. Mesmo sendo segredo isso, ela se mostra uma apaixonada que torce pela pessoa amada, mesmo sabendo que ela gosta de outra pessoa. Todo esse plot é bem trabalhado e explorado, nos fazendo conhecer mais de personagens que nos foram apresentados bem rasamente.
Já o segundo ato se foca na Chisato Matsui e nos seus sentimentos pelo Shinji Mimura. Nele é mostrado como ela começou a gostar dele e explora bem a relação não concretizada dos dois. Aqui o Takumi soube nos mostrar que o amor é algo que nem sempre vai ser escancarado e mesmo assim pode ser bonito.
Vale menção ao fato que a obra se passa em dois tempos, no passado e no presente. Logo é uma obra puramente indicada para quem já teve contato com o livro ou com o mangá original, pois caso contrário existe um imenso risco de você se perder na leitura e receber spoilers.
A versão brasileira ficou a cargo da NewPOP e teve uma tradução bastante competente que soube dar uma fluidez legal no texto e é um texto gostoso, não algo truncado. Cabe a menção de que além dos capítulos desenhados, o mangá traz o roteiro escrito nele. É uma ótima pedida para quem quer saber mais sobre as meninas do farol e se aprofundar mais na história.
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