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domingo, 5 de junho de 2016

Eu Recomendo - Ai no Jidai: Indigo Period

A juventude ardente de um mangaká

Uma das coisas mais difíceis na carreira de um mangaká, sem sombra de dúvidas, deve ser conseguir se manter influente por anos a fio sem perder o brilho que lhe levou ao estrelato. E uma das coisas mais difíceis para quem acompanha mangás, em um todo, é achar uma obra que mostre bem essa essência.
Devo confessar que, até hoje, só conheço um mangaká que teve sua vida retratada de modo biográfico em formato mangá, o autor em questão é Osamu Tezuka; no ano passado foi a vez de Masami Kurumada ter sua vida retratada desse modo, comemorando seus 40 anos de carreira. E é sobre ela que falarei hoje, vou apresentar um pouco mais sobre esse autor que, apesar dos traços ruins, tem um espírito ardente e apaixonado.

Considerações gerais


Como todos devem ter ciência, em 2014 Kurumada completou 40 anos de carreira e várias comemorações foram feitas devido a isso e, dentre elas, estava inclusa a biografia ficcional de sua carreira. Deixando claro que, como o nome sugere, a obra tem sua veracidade em alguns fatos, mas sem perder o caráter de ficção.
A publicação de Ai no Jidai – Indigo Period começou na edição 33 da Shukan Shonen Champion, tendo seu fim na edição 41 do ano de 2015. A obra é um volume único e possuí um tom bem mais sério, talvez até intimista por parte do autor.
A história se foca na juventude de Masami Higashida cobrindo até seu debut como mangaká na Shonen Champion (coincidência? Acho que não). No decorrer da história descobrimos mais sobre sua infância, na qual ele queria ser um yakuza, e sobre como foi seu caminho até realmente ter um mangá publicado. Temos um roteiro que se foca em nos apresentar o personagem principal que, a priori, não possuía motivação nenhuma para desenhar, pois acreditava que apenas as pessoas graduadas podiam fazê-lo com qualidade e com o passar o tempo se foca em criar um mangá com espírito jovem e cheio de emoções.
Kurumada sempre foi um autor criticado por sua visão limitada e datada de universo, assim como nunca foi um dos melhores desenhistas de mangá. Isso é abordado aqui de modo até frio, quando mostra que todos editores lhe diziam que suas obras eram “vazias” que faltava espírito nelas. Quando ele conseguiu debutar, estava motivado a passar o espírito ardente da juventude, e essa motivação que o guiou durante seu tempo escrevendo mangás (ou seja, é o que o guia até hoje); e é divertido notar que ele passou de alguém que não via valor em sua arte, para alguém que faz o que gosta por acreditar que esse é o tipo de publicação de alma ardente, que mostra a efervescência da juventude.
Vale tecer alguns parágrafos para comentar sobre como tudo se desenrola e citar as personagens que são suporte para todo ciclo da biografia ficcional. Começando pela primeira metade da obra que é bem voltada em antes dele debutar, é voltada ao tempo que nosso autor/protagonista era um jovem que vivia em um bairro pobre, no tempo que ele tinha como ídolo um membro da Yakuza. Fora ele, também temos seus dois amigos Toshio Nakayama e Junichi Kobayashi, cada qual teria um final diferente (eu poderia dizer qual são esses finais, uma vez que no primeiro capítulo nos é contado, mas quero que vocês leiam para saber), porém são pessoas que ajudaram muito nosso mangaká a seguir rumo ao seu sonho sem desistir.
O legal desse começo é notar uma semelhança gritante com nossa sociedade, pois quantas pessoas não deixam de lado seus sonhos e objetivos para se dedicar a carreiras perigosas ou fáceis demais, justamente por possuírem ídolos e personalidades que lhe inspirem a isso. É um caminho arriscado e dependendo de quem você veja como ideal, seu fim pode não ser algo heroico, por assim dizer, e essa é a mensagem que essa primeira parte lhe passará, de algum modo.
Kurumada sempre é enfático no que diz durante os capítulos, sempre deixando claro que nunca foi um intelectual, que nunca foi vivido. Era um autor que não possuía experiência de vida, apenas paixão por mangá e isso, depois de muito esforço, rendeu frutos. Não foi um caminho fácil, mais do que isso, não foi uma vida fácil para ele, pois quem almeja o topo, tem que lutar com todas as forças, tem que ter o preparo para críticas, em especial no caso dele que não tinha bons traços e muito menos roteiros profundos. Como o editor dele diz em determinado ponto do mangá: “Chato. Porém... tem potencial... tenho o pressentimento que você tem algo escondido...”. E é aqui que se encaixa um ponto que se destaca na carreira do Kurumada (autor) como um diferencial: ele pode não criar histórias potencialmente boas, ou até mesmo profundas, mas entretêm e abre um leque para expandir suas criações. Ring ni Kakero foi sua primeira obra e é reconhecida até hoje como uma boa obra, Saint Seiya é seu sucesso mundial e rende um vasto universo que se expande cada vez mais e isso que faz o Kurumada ser tão peculiar.
Outro ponto que merece destaque nessa análise é o texto dele no final do mangá. Ali ele comenta que poderia, sim, ter sido um Yakuza, que poderia, até mesmo, ter sido um zé ninguém. Mas ele enfatiza que, onde ele vivia, não se podia falar de sonhos. Não podia sonhar nos bairros baixos; o que chega a soar irônico quando pensamos que, motivado pelos amigos, ele sonhou, almejou e alcançou. Hoje ele é um mangaká e não um apostador.

Afinal, por que ler?

Depois de um texto desses, até meio sentimental, talvez ainda haja dúvidas do porquê ler essa obra. Caso não haja, corra atrás e leia, agora se ainda houver dúvidas elucidarei elas aqui.

Creio que essa seja uma autobiografia ficcional bem peculiar e até bacana para quem não conhece muito do autor e até mesmo para aqueles que, muitas vezes, não entendem o árduo caminho para realização de algo. Óbvio que tudo ali é bem resumido e condensado, mas ainda assim dá para sentir que foi colocado a força de vontade na crença que ele tinha em deixar os leitores empolgados. Kurumada pode não ser um autor genial, mas sempre seguiu sua carreira escrevendo aquilo que acreditava ser um sopro de juventude e, a cada página, esse mangá transpira isso. E fica a lição: caminho será longo. Terá lágrimas, decepção, pessoas que não valorizam seu trabalho e até atalhos errados, mas apenas os talentosos criam raízes e avançam para um amanhã cheio de glórias.
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