terça-feira, 7 de junho de 2016

Review: Aoi Bungaku - Hashire, Melos!

“É doloroso ser aquele que espera? Ou é mais doloroso ser aquele que faz os outros esperarem? ”

E aí gente, tudo tranquilo? De coração espero que sim.
Bem, demorei muito, mas eis aqui eu de volta com essa série de reviews que está chegando ao seu fim. É triste? Sim, mas não se preocupem que ainda temos chão a percorrer até o último ato. E hoje é dia de falarmos sobre outra obra de Osamu Dazai, porém essa é uma obra mais feliz e mais animada que sua predecessora.
Então se acomodem, peguem seus chás e vamos falar sobre “Hashire, Melos”. Vamos falar sobre amizade e confiança.

Considerações Iniciais

Os episódios de “Hashire, Melos” foram exibidos nos dias 5 e 12 de dezembro de 2009 (ano que a série foi exibida no Japão), e são os episódios de número 9 e 10 da cronologia do animê. O roteiro desse episódio foi assinado por Sumino Kawashima, que soube criar um roteiro bem divertido e intenso em cima de um conto de Osamu Dazai; além dele assina a direção Ryosuke Nakamura e a trilha sonora ficou à cargo de Shusei Murai, sendo que o compositor trabalhou apenas nesses episódios. Assina o character design dos personagens Takeshi Konomi (autor de Prince of Tennis), que fez um design bacana para os personagens e soube deixar sua marca de uma maneira única.
Vale menção que a obra (tanto a original, quanto a de Dazai), já receberam inúmeras adaptações para outras mídias, tendo até filmes; mas o foco aqui será, exclusivamente os episódios do animê.
Como eu disse anteriormente, “Hashire, Melos” (Ou “Corra, Melos”) foi, originalmente, uma história curta criada por Osamu Dazai tendo como base o conto de mesmo nome. O conto narra a história de Melos, um jovem que é preso injustamente e pede para que o rei lhe solte, pois precisa ir no casamento de sua irmã. O rei, que de todos desconfia se nega, dizendo que ele não voltará se for solto. Para resolver o impasse Serinuntius, amigo de Melos, aceita ficar em seu lugar para que o jovem possa celebrar o casamento de sua irmã. Desse modo o rei aceita que Melos vá, desde que volte em três dias, caso não volte o rei matará seu amigo. E é assim todo plot da história de um modo simples, pois o foco é o retorno de Melos, e a ideia de ter confiança no amigo.

Hashire, Melos!

 O plot do animê segue, basicamente, o conto de Dazai e narra a história de Takada, um escritor que recebe o pedido de adaptar o conto “Corra, Melos” em forma de peça teatral. Enquanto faz a roteirização ele começa a se lembrar de seu passado e de seu amigo Joushima. No decorrer dos episódios conhecemos mais sobre esse passado, sobre essa amizade e sobre a promessa que motivou Takada a se mudar para Tóquio.
Aliás, acredito que promessa, amizade e confiança devam ser as palavras chaves desses episódios, pois são esses os focos gerais e, a pergunta chave da obra entrega isso, afinal “É doloroso ser aquele que espera? Ou é mais doloroso ser aquele que faz os outros esperarem? ”. Essa pergunta nos é martelada ao longo de 44 minutos, enquanto vemos o personagem principal lutando contra seu passado para escrever um roteiro que carregue o espírito do conto de Melos; pois ele lutou contra tudo e todos para cumprir aquilo que prometeu, ele fez alguém importante esperar e viver na incerteza sobre sua vida, e Takada não sabe como fazer isso sendo que se sente traído por seu amigo. Se sente destroçado por ter esperado anos, por ter confiado e ver sua confiança quebrada.
Cabe até um parágrafo mais específico para essa crítica da obra, pois ela se presta a mostrar como nossa confiança é algo frágil, mais do que isso, ela mostra o quão frágeis ficamos com uma quebra de confiança, com uma promessa não cumprida, isso quando nos é prometido algo. Quando somos nós que prometemos, ou quando nós que esperamos essa confiança, podemos querer, muitas vezes sucumbir a quebrar nossa palavra, pois o caminho será difícil, mas ainda sim, uma hora será resolvido e, tudo pode acabar bem, ou não; mas mesmo quando não acaba bem, tem seus motivos. Dazai, mesmo em seu melhor momento de vida, deixa esse toque para nós em aberto, pois é doloroso quando esperamos, porém, também sentimos dor quando fazemos alguém esperar, em especial quando não sabemos se poderemos cumprir a promessa que fizemos.
Essa crítica se estende pelos dois episódios que alternam, de maneira brilhante, entre os pensamentos de Takada e trechos da aventura de Melos. É algo que funciona muito bem e nos faz analisar nosso próprio modo de vida. Takada é claramente aquela pessoa que se ressente por seu amigo não ter cumprido com sua promessa, não ter sido digno de sua confiança e crença, você nota a mágoa que ele carrega por ter ido para Tóquio sozinho e por ter vivido lá sem aquele amigo que lhe prometeu suporte, mesmo que ele esteja com uma vida estável, ele ressente pelo que ocorreu e isso é bem demonstrado de uma maneira clara e desenvolvida com maestria.

Considerações Finais

Admito que após terminar de ver os dois episódios que correspondiam a essa obra fui pesquisar mais sobre o conto original, e o final é bem bonito. Não vou entrar no mérito de nenhum dos finais, nem do conto original e nem o do animê aqui, mas posso dizer que a lição passada é bonita. Mais do que isso, ela é genial, tocante e merece ser disseminada, até por ser uma coisa simples, mas que não notamos.
No fim, “Hashire, Melos” é único por carregar uma mensagem igualmente única para os dias de hoje. Engraçado que apesar de “Sakura no Mori no Mankai no Shita” ser a obra mais colorida e de tom mais animado, “Hashire, Melos” é a obra que carrega a maior positividade e mensagem feliz até aqui. Mais que recomendada para todas as pessoas, e depois de assistir leia o conto original para ver como termina a jornada de Melos, pois ele correu para cumprir aquilo que prometeu.

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