sexta-feira, 3 de junho de 2016

Review - Triage X

O dia em que descobri que Shouji Satou como desenhista, é um excelente roteirista

Desde que me entendo por fã de cultura pop, de modo geral, uma coisa que nunca me agradou foi a utilização de situações de cunho sexual em excesso. E com animês e mangás, um gênero que nunca me chamou atenção foi o ecchi, talvez possa dizer que isso se deva ao fato de muitas vezes o ecchi excessivo estragar uma obra; mas creio que alguns digam que é mimimi meu.
Pois bem, hoje falarei sobre um animê que, apesar de uma ideia bacana de roteiro, teve boa parte de seu brilho apagado pela demasia do ecchi. Hoje é dia de comentarmos sobre Triage X.

Sinopse (by Mangá Host):

À primeira vista, Arashi Mikami parece ser um estudante do ensino médio de 17 anos de idade normal, embora desajeitado socialmente. Entretanto, ele na verdade faz parte de uma organização vigilante secreta conhecida como Black Label, um grupo dedicado a executar criminosos famintos por poder com os quais a lei se recusa a lidar. Infelizmente, derrubar um senhor do crime nem sempre é uma tarefa fácil, e pode haver consequências por qualquer ação...

Considerações Iniciais e Técnicas

Escrito e ilustrado por Shouji Satou, Triage X começou a ser serializado em 2009 na Monthly Dragon Age e conta, até o momento, com 13 volumes; fora isso também conta com um animê de 10 episódio que foi exibido de abril a junho de 2015 e um OVA, que foi lançado no dia 2 de novembro de 2015. A produção do animê ficou a cargo do estúdio Xebec. No brasil a obra é publicada pela Panini desde 2013 estando em hiato, pois os volumes 12 e 13 são recentes e seus materiais não foram enviados, na totalidade, à editora.
Antes de seguir adiante, quero deixar bem claro que toda minha análise é com base no animê e que ainda não li o mangá, logo não se preocupem quanto a possíveis spoilers pós animação. Serão poupados, dessa vez.
Quero começar meu comentário sobre a obra com uma palavra: expectativa. É isso que toda a ideia do plot traz. E, após os 10 episódios você se sente até decepcionado, pois essa mesma expectativa fica nisso mesmo e morre nisso, claro que há bons momentos no decorrer da história, a animação é competente e até a trilha sonora cumpre bem seu papel dentro do que lhe é proposto, mas ainda sim só sobra a expectativa e a decepção. Pode parecer começo para desmotivar quem não leu ou assistiu a obra, talvez pareça até ranzinza e preconceituoso esse começo, mas acredite tem fundamento essa crítica pesada, assim como tem fundamento os elogios que aqui serão empregados, mas vamos por partes.
Todos sabem quem é Shouji Satou, e mesmo se não souber pelo nome, mencionar High School of the Dead pode abrir sua mente, pois ele é o desenhista da obra (que também é publicada na Dragon Age e está amargando um hiato) e tem uma arte única, porém nunca esquecendo de acrescentar peitos grandes à suas personagens, por ser algo que ele gosta muito. E essa afirmação não sou eu que estou inventando, está em uma entrevista dele em um dos volumes de H.O.T.D; aí você se pergunta: “O que isso tem a ver com o review Paulo Ikari? ” e eu respondo: “Tudo”, pois devido a esse gosto dele as personagens femininas tendem a ficarem desproporcionas (ou não né, vai que uma mulher possa viver com peitos daquele tamanho, cintura finíssima e não possuir problemas de coluna, mas divago); já seus personagens masculino tendem a possuírem uma normalidade habitual. E é nessas personagens que entra o primeiro ponto de impasse para eu não gostar, tanto, dessa obra em sua versão animada, pois as personagens peitudas sempre estão em cenas de fanservice de cunho sexual, ou cenas de puro ecchi que podiam não estar ali (acho eu) ou simplesmente podia-se criar personagens que condigam com a realidade, pois uma garota de 14 anos dificilmente vai parecer uma modelo fitness com busto 50 (não que isso seja impossível, mas a Oriha é aquele exemplo de adolescente perfeita demais).
Mas vamos lá, se a arte não é aquele primor, o roteiro se sustenta e cumpre seu papel de um modo único. Sendo bem honesto, ele diverte e se sustenta; posso dizer que ele até empolga em alguns momentos. Toda trama é construída em cima do Arashi, da Mikoto e de toda Black Label fazendo justiça e punindo aqueles que os órgãos públicos não querem, por inúmeros motivos, punir. Ao longo de todos os episódios do animê vamos conhecendo mais sobre esses membros e há até algumas arranhadas em suas histórias pregressas (não vou dizer que é aprofundado demais, pois no mangá as histórias podem possuir profundidade maior), porém mesmo essas arranhadas são bem trabalhadas e te deixam com a curiosidade atiçada. É aqui que Katsuhiko Takayama, roteirista da série, prova que consegue dosar bem as cenas de ação frenética (coisa que foi bem transposta para tela) e as cenas mais tranquilas. O animê segue até seu desfecho, que não é bem um desfecho e deixa uma porta aberta para a possibilidade de uma season 2, até por não resolver o confronto contra a Syringe.
Cabe também aquele comentário bacana sobre a trilha sonora, que foi composta por Makoto Miyazaki e está entre as OSTs mais bacanas que já ouvi. O cara consegue te puxar da tensão para a diversão em uma simples trilha (enquanto redijo isso, estou ouvindo o CD com as músicas). Fora isso também temos as músicas de abertura e encerramento que são excelentes (abertura “Triage” cantada pela Saeko Zougou feat. Nagareda Project; encerramento “Soleil Moa” cantado pela Kazutomi Yamamoto) e ficam grudadas na sua mente, tornando meio impossível você não sair cantarolando por aí.

Considerações finais

Posso dizer que esta é uma daquelas obras que não recomendo para todas as pessoas, sendo até mais franco, recomendo, seletamente, para os fãs mais fervorosos de ecchi, ou até mesmo fãs da arte do Satou-sensei. Essa é aquela obra que, para mim, pouco se tem a acrescentar visando um cenário maior; poderia ter ido além se não fosse a arte regrada a um ecchi excessivo.  
Vale mencionar que o animê foi licenciado pela Sentai Filmworks, logo não seria de estranhar se mais tempo, menos tempo a obra figurasse no catálogo da Netflix. Mas se isso ocorrer, que seja com dublagem decente. No mais, cabe aqui também palmas para todos envolvidos nessa animação. E caso haja interesse em ver o animê, faça por conta e risco.

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