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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Review: Aoi Bungaku - Jigoku-hen

O inferno em um grandioso retrato

Creio que todos, independentemente do ideal religioso, já tenha ouvido várias histórias sobre como seria o inferno. Mais do que isso, acredito que muitos pensem ou já pensaram naquela questão básica de onde, afinal de contas, é o inferno. Uns creem que é aqui na terra, outros acreditam que é um local onde haverá sofrimento eterno, mas esse é um “debate” que sempre nos toma tempo.
Porém, hoje é dia de vermos como seria o dito inferno na visão do pai do conto, pois hoje falaremos sobre a última obra de Aoi Bungaku. Senhoras e senhores, se acomodem, pois, hoje falaremos de Jigoku-hen. Último dos 6 animês da literatura azul.

Considerações Iniciais

Jigoku-hen é o último episódio da série, ou seja, é o de número 12, segundo a ordem. Ele foi exibido no dia 26 de dezembro de 2009, possuindo a mesma equipe de produção de seu antecessor, mais do que isso ele possui até uma ambientação bem semelhante de seu episódio anterior, fazendo uso de tons bem psicodélicos e ainda carregando o tom crítico da sua antecessora.
Fica a menção que, nesse episódio, dá para sentir que o tom na mão de outro autor teria sido mais sombrio e pesado, porém foi optado por algo mais infanto juvenil, como se pede o figurino.

Jigoku-hen

Essa história, como dito no parágrafo acima, se passa no mesmo período/contexto de Kuma no Ito (não leu sobre esse review? Clica aqui e leia), logo você verá uma ou outra cara conhecida no decorrer dos 22 minutos desse episódio, porém aqui o foco de nosso roteiro é em Yoshihide, um pintor talentoso que recebe a tarefa de pintar uma tela com a visão dele do, segundo o regente, “belo país” no qual ele vive. O que ocorre no decorrer da história é deveras interessante e vou discorrer melhor nos próximos parágrafos.
Mas, vamos por partes, pois ele recebe esse pedido e, prontamente, o aceita. Até porque não aceitar poderia ser algo complicado, porém o que ele não esperava era dois fatores: 1º ver que ele não conseguia enxergar tal beleza que o regente dizia de boca cheia; 2º ver algumas pessoas serem executadas em sua frente, apenas por terem caído no mar e estarem à deriva. E esse segundo fator é o que mais mexe com o psicológico de nosso protagonista, pois quem, em sã consciência, mata pessoas que nada fizeram de mau? Eis que surge o primeiro ponto de crítica, pois, a priori, tudo parecia belo e charmoso, mas a máscara caiu.
Após esse incidente, a filha dele comenta sobre o quão horrível foi ver aquele massacre sem motivo aparente e é quando vemos o questionamento citado no primeiro parágrafo, pois Yoshihide não vê essa beleza que o imperador diz haver naquele país e ele sabe que, caso não entregue o pedido, morrerá. Mas, como nada nessas histórias azuis são por acaso, ocorre um fato que muda todo contexto da história e, mais do que isso, nos leva ao pensamento de que a tela do inferno realmente é válida.
Tudo começa a fazer sentido na cena seguinte; em um momento temos o imperador mostrando seu mausoléu e pedindo para que a obra suprema do artista seja feita ali, e no momento que o foco muda vemos uma cena que é digna do inferno, pois devido ao uma praga os soldados do império simplesmente ateiam fogo nos mais pobre e nosso protagonista assiste àquela cena em um misto de horror e criatividade aflorada, pois é dali que ele começa a ter ideias para sua arte no mausoléu. É dali que começa a surgir o esboço do desejo infernal, do anseio de mostrar o quão profano é a beleza que ele vê.
Não que eu queira ser o dono da verdade, mas cada um vê a beleza e o ideal de boa arte a sua maneira do modo que achar melhor, em especial por sabermos que gosto artístico é algo muito pessoal, porém não posso deixar de salientar que a crítica aqui vai muito além disso. Se em Kuma no Ito (também do Ryunosuke Akutagawa) o mote era “plantar e colher”, aqui a crítica fica quanto a moral e corrupção, pois o que Yoshihide desenha é o que ele vê da sociedade daquele país, mais precisamente de seus governantes, que se traveste de pessoa de bem, porém é de bem com quem tem, quem não tem que se vire a própria sorte. No roteiro não nos é poupado essa ideia, em especial no momento que o inferno “chama” o pintor dizendo exatamente como deseja ser retratado.
Toda narrativa, até esse ponto, mostra claramente como alguém de talento vai, pouco a pouco, cedendo a loucura e aos anseios mais profundos por seu ideal, mesmo tendo a ciência que, após a conclusão de seu trabalho, morrerá. Ele admite isso no começo do episódio para sua filha deixando claro que, como ele não consegue ver o que é pedido, ele será visto como alguém que não correspondeu o esperado e, por isso, morrerá.
Em todo caso, não vou comentar o final, até para não estragar surpresas, mas posso dizer que é meio indigesto o final, pelo menos para mim. Fica aquela sensação de que algo errado não ficou certo e que, com aquele clima, era esperado algo menos denso e carregado, mas podemos dizer que esse arco se fecha de modo lúdico, porém didático. A crítica fica válida.

Considerações finais

Com esse episódio, chegamos ao final de tudo; mais do que isso, chegamos ao consenso geral que tudo é um aprendizado. Ao longo de 12 episódio aprendemos muito sobre os tons de azul, digamos assim. Aprendemos muito da visão que os autores possuem sobre o mundo, visões essas que são, em muitos casos, da era Showa e, incrivelmente, ainda permanecem atuais, não importa como você olhe.
O ser humano ainda é egoísta, ainda sofre com solidão, depressão e medo. Vive por fazer as coisas e não esperar que seja acometido pela consequência e sempre vivendo à dependência daqueles que criam o “inferno”. Claro que há aqueles que esperam e acreditam, mas é pior ser quem espera ou quem faz esperar? É válido termos pressa para extrair nossos sentimentos sem esperar pelo próximo? Ou nos considerarmos não humanos por não nos encaixarmos? É... essas são questões que ficam no ar, não somente pelos reviews da série (que logo estarão no índice de reviews) e sim pelo que a obra, em um todo me acrescentou. Foram 4 anos escrevendo isso entre idas e vindas do Dollars, entre relacionamentos e tudo mais e, no fim, só sobrou o incentivo de correr e viver. Agradeço por todo prazer que essa “literatura azul” me proporcionou ao longo dos reviews e dos episódios, agora é hora de aprender mais sobre esses autores e ir atrás de mais coisas deles, pois é só o começo.

A você que acompanhou essas análises, meu mais sincero obrigado. Saiba que é só o começo. Vamos, juntos, adiante para conhecer mais sobre cada um desses autores e conhecer mais da literatura japonesa. Em todo caso, por hora é só.
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