segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Eu recomendo - Hinomaru Zumou

Entre no Dohyo com sede de vitória

Admito, sem muito orgulho, que não sei como começar esse texto de uma maneira empolgante. Não sei bem o porquê disso, mas sei que esse foi um mangá que carregava uma imensa descrença por minha parte.
Quando comecei esse ano, sendo bem franco, não esperava me deparar com essa obra e, por consequência, quebrar um imenso pré-conceito que eu tinha com o sumô, de um modo geral. Depois de muita demora eis que, finalmente, trago a vocês o tão esperado (ou não) eu recomendo de Hinomaru Zumou.
Então se sentem e peguem seu guaraná bem grandão, porque esse será um texto bem voltado àquele conceito que preguei no meu editorial de pré-conceito (não leu? Clica aqui e leia); sem mais delongas... vamos ao texto!

Considerações Iniciais

Escrito e ilustrado por Kawada, Hinomaru Zumou começou a ser publicado nas páginas da Weekly Shonen Jump em 26 de maio de 2014 e segue até hoje, já contando com 12 volumes encadernados. A obra não possuí um número expressivo de vendas, porém é muito bem recebida pela crítica e por quem lê mundo afora; porém mesmo com essa boa recepção ainda não possuí anime.
A obra conta a história de Ushio Hinomaru, um jovem que almeja ser o Yokozuna do colegial, para que assim possa adentrar no sumô profissional sem maiores problemas, uma vez que ele possui apenas 1,60 cm. Durante o desenvolvimento da história conhecemos outras pessoas que também gostam do esporte, ou começam a gostar pelos mais diversos motivos e passam a almejar o topo nesse esporte.
Depois de mais um resumo (porco) vindo de minha pessoa, vamos ao que motivou esse post, pois, afinal, porque raios eu acabei lendo isso e gostando? Até porque, de um modo geral, tenho a line-up inteira da Jump semanal para ler e escrever aqui no blog; dava para escolher algo “melhor”, assim. Entretanto, quando comecei a ler a série foi por um mero acaso e falta do que fazer, peguei por simples curiosidade e encontrei mais do que esperava.
Não que seja fácil admitir isso. Na realidade, não é, porém, é preciso ser justo e dizer que essa é uma obra que tem certa excelência em tudo que faz ou se propõe. A obra possuí personagens carismáticos, desde o Hinomaru até seus oponentes; possuí um bom plot de desenvolvimento e, acima de tudo, tem um autor que fez o dever de casa. Kawada se mostra um autor afiado no esporte (até onde apurei) e nos dá uma obra que se sustenta naquilo que diz, nos dando uma nova visão do esporte que, até então, temos um preconceito imenso.
E por falar no esporte... usar o sumô como esporte base foi, de certa forma, uma sacada excelente, apesar de seus riscos. É graças a isso que aprendemos mais das regras, dos conceitos e da filosofia “corpo, espírito e técnica” (não necessariamente nessa ordem). Essa filosofia que move a base do roteiro em muitos momentos, pois ela que rege a evolução dos protagonistas e faz a nós, leitores, ter uma percepção mais fora da caixinha sobre o que, na realidade, é o mundo do sumô e dos seus lutadores. Esse não é mais um daqueles esportes que duram muito tempo até acabar; nele temos uma luta de segundos, que acaba quando menos se espera.
Temos ranks que geram arrogância dos seus competidores e dão uma hierarquia, a qual se deve total respeito. É no dohyo onde esses personagens depositam toda sua coragem, força e capacidade e isso que torna a obra tão impressionante.
Aqui não há divisão por tamanho ou peso, propriamente dito. Essa é uma disputa voltada, totalmente na raça; logo os desafios que o Hinomaru enfrenta visa bem mostrar isso, mas fora ele, ainda temos um elenco de apoio bem legal e com uma construção formidável, ao meu ver; temos desde o Ozeki, que já era amante do esporte e apenas evoluiu ainda mais o que sabia; até o Kei, que é novato no esporte e, apesar de não possuir porte, quer aprender e desenvolver mais. Fora eles, ainda temos uma galeria de oponentes que, até onde eu li, não deve em nada aos adversários de bons mangás de esporte. Tem desde o talentoso que não luta para que os outros possam curtir o esporte, até os manos arrogantes e extremamente bons.

Afinal, vale a pena ler?

Sério, falei muito sobre o esporte (mentira, me enrolei todo para enfatizar os porquês de eu gostar) e no fim, novamente, não expliquei muito do porquê vale a leitura. Pois bem, vamos lá.
Eu disse ali em cima que essa é uma história que volta ao foco do pré-conceito e, sim, eu tinha esse conceito pré-formado com essa obra. Acreditava, piamente, que obras assim eram desinteressante e que não possuíam um ritmo que cativasse. Paguei com a língua de um jeito único; mais do que isso, acabei por me cativar nessa obra a um ponto que me enrolo para explicar o porquê ela é tão boa.
Essa é uma daquelas obras que só conseguirão destaque forte se ganhar animê (o que é bem improvável), caso contrário será algo que quem conhece ama, quem não conhece apenas julga baseado em nada. Não vou pagar de moralista e falar que a obra não tem defeitos, pois tem, mas ainda assim as qualidades acabam se sobressaindo.
No mais, essa é uma das obras que indico para todos que querem sair da caixinha e ler algo sobre um esporte subvalorizado por nós, ocidentais, mas que rende um roteiro bem feito, com boas lições e sacadas. É algo único ler essa obra, e posso garantir que, se você der uma chance, você irá se surpreender e devorar essa obra.
E, sendo franco, se esse for o debut do Kawada na vida de mangaká... ele começou muito bem. Pode não ser o melhor mangá da Jump, mas cumpre bem seu papel e ficará na história de mangás para todos os públicos.
Postar um comentário