quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Review - Medaka Box

Aquela obra que, sinceramente, me arrependo de ter menosprezado; mas agradeço por ter acompanhado, mesmo que tardiamente, pois essa é a ideia mais non sense que já li.
Para mim, atualmente, há apenas dois lemas que, em hipótese alguma, deixo de seguir: “Nunca diga nunca” e “opiniões mudam... para o bem ou para o mal, mas mudam”. E, talvez, seja por esse motivo que posso afirmar que, não são apenas nossas opiniões que mudam, como também nossa cabeça para interpretação das coisas. É algo estranho, mas é assim que funciona – pelo que notei – e, dito isso, preciso dizer que esse review é, em partes, uma redenção.
Quem ouve o Dollars desde seus primórdios, certamente irá se recordar do cast que falamos dos animês da primavera de 2012 – saudades desse abril de meu Deus e das risadas que tive naquela gravação (caso você não tenha ouvido, deixarei ele disponível clicando aqui). Nesse cast eu, ferrenhamente, critiquei Medaka Box, dizendo que não era uma boa obra e que o pessoal que reclamava da série estava certo.
Pff... que garoto ingênuo eu era. Creio que, naquele período eu não tinha a cabeça que tenho hoje, gostava de coisas mais básicas e genéricas – na realidade, eram coisas bem ruins para dizer a verdade -, mas tudo muda (e esse desclaimer de três parágrafos foi necessário). Então, eis que no final de 2015, eu estava em uma vibe de arriscar ver tudo aquilo que eu sempre julguei ruim e tive preconceito e, numa dessas, acabei tomando coragem para rever Medaka Box; no fim das contas acabei não apenas vendo as duas temporadas do animê como, também, li o mangá inteiro. Pronto... prova que paguei pela língua.
Depois de todo essa história (longa para cacete), dá para dizer que – obviamente – todo review tem um senhor cunho pessoal e cheio de sentimentalismo, pois depois de meses lendo a obra ela se tornou meu xodó. De algoz, virou algo que eu defendo com unhas e dentes e até provo que Nisio Isin é um verdadeiro gênio em concepção de histórias. Antes seguirmos, caso queira ler um texto imenso, porém de muita qualidade, deixo aqui linkado o texto do All-Fiction sobre a série; texto esse que me inspirou a esse review e, também, me ajudou a repensar muitos pontos da história.
Bem, vamos lá então... mas primeiro... como posso definir Medaka Box? Como posso explicar para você, querido leitor, o quão divertido é esse universo da série?
Essas são as primeiras perguntas que pairam em minha mente, não porque seja impossível explicar isso, mas sim porque é complicado resumir toda loucura que é a série, mais do que isso, toda loucura que é esse universo. Resumir tudo que é Medaka Box é como tentar resumir algo que não é simples em poucas palavras o que, por si só, já é bem difícil. Mas todo roteiro de Nisio Isin é um amontado de referências, críticas, papos malucos e um shounen bem diferente do que, de fato, pensamos ser um mangá Shounen.
Todavia, irei explicar isso passo a passo – ou, pelo menos, tentar.
Vamos do começo!
Escrito por Nisio Isin e ilustrado por Akira Akatsuki, Medaka Box começou a ser serializado na Weekly Shounen Jump em 11 de maio de 2009, sendo encerrado em 27 de abril de 2011; com um total de 192 capítulos dividido em 22 volumes. A série também conta com uma animê, dividido em duas temporadas - Medaka Box, que estreou na primavera de 2012 e Medaka Box Abnormal, que estreou no outono do mesmo ano – cada uma com 12 episódios; três novels – “Medaka Box Gaiden: Good Loser Kumagawa” de 2012 (2 volumes), “Shousetsu Ban Medaka Box” também de 2012 (2 volumes) e “Medaka Box: Juvenile - Shousetsu-ban” de 2013 (1 volume); e um guide book.
Ok, muita informação técnica acima – nem tanta, mas sinto que ficou mecânico – então vamos para o padrão. Mas primeiro, vamos falar rapidamente de alguns pontos, pois meu foco aqui será, em especial, o mangá.

muitos que tiveram contato com a obra o fizeram através do animê que, como dito anteriormente, teve duas temporadas. Medaka Box teve sua estreia 05 de abril de 2012 e foi até 21 de junho de 2012. Essa temporada adaptou o primeiro arco do mangá em seus 12 episódios; já a segunda – Medaka Box Abnormal (ou Medaka Box Anormal) – adaptou o arco da classe 13. Com a mesma quantidade de episódios que sua antecessora, essa temporada estreou em 11 de outubro de 2012 indo até 27 de dezembro de 2012. Contudo, aqui há uma pequena diferença da primeira, pois em Abnormal, o arco se acaba no episódio 11 (que equivale ao capítulo 55), o episódio 12 adapta uma das partes do “Good Loser Kumagawa”, mas isso comentarei mais para frente.
O animê foi produzido – de modo competente demais – pelo estúdio Gainax (Evangelion, Karekano, dentre outros animês bem conhecidos), e, sinceramente, é um animê lindo. Tudo ali é bem feito e competente. É algo que honra com a expectativa (maior prova disso é que, enquanto redijo esse review, estou ouvindo a trilha sonora da série, que foi composta por Tatsuya Katou). É um animê que, de um modo geral cumpre bem seu papel e, quando se encerra, deixa aquela brecha para leitura do mangá. Há, cabe menção: por esses lados a série é licenciada pela Sentai Filmworks (aquela que tem a licença de Gintama ~)
talvez você não consiga associar o nome à pessoa, mas o roteirista de Medaka Box é o criador da Monogatari Series. Ok, vou dar um tempo para você respirar caso não saiba disso... pronto? Vamos prosseguir.
Nisio Isin é um autor que tem um vasto currículo (clica aqui e acessa a página dele no MAL), tendo escrito Monogatari Series, Zaregoto, novel de xxx Holic e, até mesmo, novel de JoJo, ou seja, o cara sabe o que faz; indo além o cara é alguém de renome na indústria e não tinha, necessariamente, um porquê se aventurar nas páginas da Jump sem mais nem menos (tanto da Weekly Shounen, como da SQ – no caso de Shounen Shoujo, que já falei aqui no Dollars), logo prefiro seguir a ideia do colega do “All-Fiction” e ir pela teoria que convidaram o Isin-sensei.
Já o desenhista, Akira Akatsuki, tinha alguns trabalhos anteriormente, mas – até onde meu parco conhecimento me permite deduzir – nenhum de grande expressão. Logo, Medaka Box foi seu primeiro grande mangá.
Aí quando você junta essa dupla, você tem a combinação mais interessante que um shounen poderia pedir.
Então, vamos focar no mangá!
Como dito lá em cima, o mangá possui 22 volumes em 192 capítulos que são divididos nos seguintes arcos (estou seguindo, em partes, as nomenclaturas dadas pelo Wikia da série):
  •       Arco do Conselho estudantil (caps. 1 – 21)
  •        Arco da Classe 13 (caps. 22 – 55)
  •        Arco dos Minus (caps. 56 – 92)
  •        Arco do 100º presidente do conselho estudantil (caps. 93 – 140)
  •        Arco do Casamento Negro (caps. 141 – 158)
  •        Arco da Shiranui desaparecida (caps. 159 – 185)
  •     Arco do buquê para o futuro – ou arco que você aprende o nome de todo mundo (caps. 186 – 190)
  •         Epílogo (caps. 191 e 192)

Fora todos os arcos listados, ainda temos os capítulos extras que adaptam um determinado ponto do Good Loser Kumagawa – mais precisamente o 1º capítulo extra adapta um ponto no passado e o segundo mostra pós arco do buquê, o que é deveras legal, mas só vale se você tiver lido até ali.
Mas indo ao cerne de tudo, e retomando um comentário meu do começo, a série tem os capítulos iniciais mais explicativos que já tive noção de ler. Assim, não que seja arrastado, mas é algo que, a priori, causa estranheza, pois é ali que conhecemos aqueles que irão nos acompanhar pelo longo da série.
É ali que conhecemos a Medaka, o Zenkichi, o Akune e a Kikaijima. Cada um à sua maneira de aparecer e se mostrar, mas confesso que toda primeira parte desse começo e dessa apresentação é maçante. Chata. Cansativa. Não é algo que eu diga “vá na fé que você amará”. É um começo arrastado que parece – e muito – com aqueles livros que você tem que ter fé em excesso que irá ficar melhor para seguir. Mas, acredite, ele melhora – de modo sublime – quando temos a aparição do conselho disciplinar (o que ocorre em idos do capítulo 14, no mangá, e no episódio 8, do animê). No momento que temos todo embate contra o a galera que zela pela disciplina da escola – que nem chega a ser tão embate assim – é que a série nos dá um vislumbre do que ela pode/quer ser. É nesse momento que – sim – nos gera um sorriso de canto de boca e passamos a ter fé. Destaque especial para a lutra entra a Medaka e o Unzen, que é quando conhecemos, um pouco mais, do quão diferente é nossa protagonista e começamos a ter uma percepção do quão tudo ali é menor do que aparenta, isso diante da Medaka.
Aí somos presenteados com mais uma acentuação na qualidade do roteiro com o arco seguinte, mais do que isso, somos apresentados aos conceitos que – nesse momento – regem a série, porém só poderiam serem apresentados após vermos que tudo é válido nesse roteiro (acreditem quando eu digo, TUDO É POSSÍVEL).
O arco da classe 13 é mais do que aparenta e nos dá uma ideia (IMENSA) do potencial que a série tem; é aqui que conhecemos a divisão da série – de um jeito bem maneiro até, porque a cena do Unzen jogando os dados é legal pacas – que são: os normais, os especiais e os anormais.
Em miúdos, funciona assim:


  •        Os normais são aqueles que conseguem fazer o possível e ponto (ok que... o Zenkichi é normal e SOBE A PAREDE APENAS COM OS PÉS!)
  •         Os especiais possuem habilidades especificas, mas nada muito uau, apenas o necessário para fazer as coisas difíceis serem fáceis. Exemplo: a Kikaijima e seus pulmões incríveis.
  •     Os anormais conseguem, literalmente, tornar o impossível possível. Eles são o exemplo da “perfeição”, digamos assim e possuem habilidades bem absurdas que variam de pessoa para pessoa.

É dentro dessa terceira categoria que encontramos nossos antagonistas do momento, a classe 13. Ela não é apenas a antagonista da vez, como também possuí um plano mirabolante e, honestamente, muito engenhoso para criar um anormal a partir de um normal (se não me engano, em miúdos essa é a ideia do Flask Plan). Porém, após a Medaka ganhar do Unzen temos ela sendo visada e, como protagonista perfeita, a vemos ir resolver essa treta.
Nesse ponto temos muitos momentos interessantes que nos provam que, sim, há como se criar um mangá de batalhas com muitos diálogos, assim como podemos ter personagens que superem limites sem nenhuma barra forçada (ok, a luta do Zenkichi com o Kei foi deveras divertida, porém não dá para negar que houve aquela forçada de barra pela vitória do Zenkichi). Além disso, ainda temos os capítulos que concluem esse arco com uma batalha muito bem desenvolvida e que, de quebra, nos dá uma dimensão ainda maior da loucura que a série ainda irá nos presentear; pois, durante a luta da Medaka contra o Miyakonojou, descobrimos que a habilidade da Medaka é, basicamente, copiar AND aperfeiçoar 100% QUALQUER HABILIDADE QUE ELA VEJA UMA ÚNICA VEZ! E sim, estou usando o caps porque isso é MUITO quebra de regra do jogo.
Assim, não que a série não costume ter essa quebra de regra, indo até além do básico, não que shounens não quebrem suas regras, mas a Medaka é, particularmente, quase um deus ex-machina. E isso, com o passar dos arcos, será melhor estabelecido.
Nesse momento/arco temos apenas o estabelecimento da habilidade dela, assim como uma pequena demonstração do que ela pode fazer. No final desse arco... ah, no final...
Ok, agora é a hora que eu faço aquela quebra no texto para dizer que: sim, eu resumi MUITO os dois primeiros tópicos; e a partir de agora tentarei discorrer todo meu amor pela série, pois é daqui para frente que eu realmente me encantei por esse mundo. Certo que o texto está GIGANTE até aqui, mas eu tentarei não tornar mais bíblia ainda.
Enfim... vamos voltar.
No final do arco da classe 13 temos a introdução daquele que, sendo bem direto, é meu personagem favorito de toda a série e, de quebra, é o motivo para eu ter dado uma chance para a série. É aqui que temos a entrada – totalmente triunfal e bem executada – de Kumagawa Misogi, o Good Loser!
A partir desse ponto entramos em um ponto Nisio Isin decidiu que era pertinente criticar o Shounen mangá em sua estrutura e, para melhorar tudo, criar um contraponto para isso. Ele decidiu isso e criou o Kumagawa. Criou o antagonista mais odioso e amável, aquele personagem que vai te deixar surpreso com suas atitudes e com seu jeito maneiro de falar. É o típico antagonista, porém com alguns diferenciais.
Ele não se importa em sabotar arcos de treino, não se importa em ser pragmático ou, até mesmo, se aproveitar usando de chantagens e ideias bem únicas. Kumagawa é aquele personagem que te encanta com o tempo, quando você o conhece, porém não é alguém com quem você está habituado, sendo totalmente um contrassenso da Medaka e, de modo geral, do que é um shounen mangá.
O lema que um shounen mangá, em especial se for da Shounen Jump, deve carregar é “amizade, trabalho duro e vitória”, na visão do Kumagawa se torna “relações frágeis, trabalho inútil e vitórias vazias”. Ele é um personagem que funciona dentro do que, até então, nos foi apresentado. Não apenas ele, todos da classe -13. Todos a antítese, todos os “negativos perfeitos”, ou a tese do quão frágil você pode ser se não for o protagonista.
Nosso antagonista do Minus arc é uma espécie de caos natural e eficiente. Ele abala as estruturas de tudo que havia ali, ele nos torna parte de todo aquele mundo de referência que, vira e mexe, ele nos agracia em suas falas. Ele é o primeiro dentro daquele mundo bidimensional a se tornar unidimensional, ele é o primeiro a quebrar a 4ª parede e, ao seu modo, dialogar com quem está lendo.
Sem contar que, é aqui que começamos a ver os limites das regras do jogo serem quebradas, mas vou me segurar nesse ponto. Nos próximos arcos posso comentar mais. O caso é que, o Minus arc é o ponto que separa aquilo que deveria ser simples de algo muito maior, é onde começamos a ver que a crítica ao Shounen padrão excede a zona de conforto e se torna uma festa aos olhos. Isso, porque, não entrei – e nem entrarei tão a fundo assim – no mérito da batalha final entre a Medaka e o Kumagawa, pois... sinceramente, é uma emoção imensa aqueles capítulos, mais do que isso, esse arco em um todo é emocionante, lembrar dele me deixa vibrando para reler tudo aquilo. Pois todo jogo é bem elaborado, todas as condições da batalha final são excelentes, as motivações e até o capítulo que entendemos um pouco mais sobre o Kumagawa. Definitivamente, é aqui onde a história sobe muito a qualidade, e essa subida é a brecha necessária para o jab MAIS INCRÍVEL E REPETACULE DE TODA HISTÓRIA DOS SHOUNEN!
Então, vamos ao ponto... vamos à entrada daquela que, aumenta ainda – para mim – o ritmo da série, vamos falar da Ajimu, ou Anshin’in como ela prefere ser chamada. Vamos falar do arco dos Not Equal (ou arco da eleição do 100º presidente da academia de Hokinawa).
Depois de um total oposto no arco anterior, temos aquela que, segundo suas próprias palavras: “não se classifica nem como Minus nem como anormal, pois empata com ambos”. Anshin’in entra na história após a conclusão do confronto entre nossa protagonista e o Kumagawa e logo de cara já começa usando o primeiro golpe em quem lê, pois ela deixa claro que “quem vence sempre é o protagonista”, deixando assim tudo nos conformes – pois ela deixa esse comentário e podemos ver, logo de cara que ela é alguém mais crítica e opositora, mais do que isso, ela dialoga diretamente com o público, de uma maneira mais direta.
É graças a ela que temos todo o problema inicial, que posteriormente irá gerar o melhor plot twist da série, mas é em uma primeira conversa com a Medaka que pegamos o jeito dela de pensar, pois ela explica que, se desejasse, ela poderia apenas esperar a Medaka se formar para, então, prosseguir com o Flask Plan, pois assim seria fácil. Afinal, a protagonista precisa se formar do colégio, é o caminho natural. E é aí onde temos a procura de uma sucessora para nossa protagonista, um mini arco simpático, porém é um pouco calmo, em especial após tudo que se passou.
Só que, é após ele que o Nisio decide duas coisas: 1º é preciso mostrar a outra face da Medaka; 2º é preciso testar um novo modo de atravessar a quarta parede. Foi no auge desse arco que tivemos o anúncio do animê e, uma das maiores diversões desse arco, que foi a Anshin’in dizendo que o mangá acabaria antes da estreia do animê. Óbvio que sabemos que isso não ocorreu (se você está lendo isso sabe que o anime passou), mas não deixa de ser divertido ver como ele soube trabalhar bem essa questão.
Já quanto a primeira decisão... bem, ela não apenas é excelente, quanto é um mote muito bem executado. Ele já havia trabalhado uma Medaka heroica e correta, porém trabalhar a visão sobre ela como “vilã” foi acertada e, de certo modo, acaba nos tornando ainda mais cativados pelo Zenkichi, pois acabamos tendo uma nova visão dele.
Indo além, é com esse arco que temos o maior número de críticas ao que é um shounen mangá, sobre toda shounen Jump, sobre battle shounens e sobre como as pessoas são apegadas aos padrões. Esse é o arco que mais descontrói tudo que conhecemos até aqui e é onde mais evoluímos junto dos personagens.

O final, na falta de palavra melhor, é excelente e perfeito. É o verdadeiro ápice, o trabalho magistral e verdadeiramente completo. Se o mangá tivesse acabado aqui, teria sido um final de ouro, mas Nisio ainda tinha mais para contar, ele tinha mais para explorar e brincar; me arrisco a dizer que, após o capítulo 140, ele quis, efetivamente, mudar o protagonista um pouco para ver como seguiria toda aquela loucura.
E com isso, temos o arco do Casamento Negro (ou Jet Black), mas nem vou me alongar muito nele, porque, em um consenso geral, ele tem alguns pontos bons como, por exemplo, a introdução dos “estilos” que é o poder com as palavras e um certo foco na relação Medaka e Zenkichi, mas ainda assim é bem nhé e aquém do esperado. Tanto que não lembro 100% como esse arco se encerra.
Dito isso, vamos para o último arco longo, mas antes... um rápido respiro (escrever tanto não é fácil, logo parabéns para você que está lendo com afinco)... pronto, agora voltemos para falar do último arco longo.
Sim, não vou me estender – tanto – nesse ponto também, até porque aqui é um arco que começa lento, em especial se compararmos com os anteriores, mas acelera de uma maneira gostosa. Sou honesto em assumir que, para mim, há momentos nesse arco que rivaliza com o arco da eleição, pois o trabalho aqui é bem pensado; mais precisamente, o foco é bem direcionado.
Aqui temos um arco que foca, de uma maneira mais decente, na Shiranui. Mais precisamente na função dela e, devido a isso, que conhecemos a Vila onde ela mora e conhecemos o Iihiko, que é um “vilão que já foi herói”. É aqui onde todas as regras já estabelecidas mudam e, literalmente, tudo ganha uma nova ideia – mesmo que de modo rápido – claro que, o ponto alto aqui é quando entendemos quem é, de fato, Iihiko, assim como quando entendemos a única forma de alcança-lo, de vencê-lo. É aqui que tudo ganha aquele sentido e se torna algo que nos deixa preso, em especial após o ponto climático desse arco.

Quando esse clímax inicial acaba, nos sobra o, na minha opinião, melhor capítulo que eu já li de um mangá. Nos sobra o capítulo 185. Claro que, obviamente, há quem discorde disso, mas é inegável o que, para mim, esse capítulo representa, mais até do que o 140. Ele é o fechamento de um ciclo e, aqui, tudo é feito de uma maneira tão sublime que, até hoje, eu não consigo ler sem sentir vontade de chorar em determinados pontos. Tudo é redondo e muito bem feito. E só por isso, já é marcante e merece o marco que tem para mim.
Pós esse arco temos dois arcos curtos que servem, tão e somente, apenas para encerrar o mangá. Mas não há muito o que se acrescentar sobre eles. Todavia, recomendo a leitura até o final, para que você se delicie com os momentos desses arcos. Eles são divertidos e tem uma pegada mais começo, sem ser o começo.

Afinal de contas, porque se aventurar no universo de Medaka Box?


Creio que, se você chegou até aqui deve se perguntar, justamente isso. Pois bem, vou responder da seguinte forma: vou, novamente me usar como exemplo.
Eu não gostava da série, de 2012 até idos de 2015 eu simplesmente nem cogitava ler o mangá, cheguei a dizer que nunca compraria se saísse por aqui, hoje em dia eu quero muito ter o mangá, as novels e o guide book em mãos. Eu aprendi a gostar da série quando desapeguei do pensamento que um shounen bom é o padrão.
Sinceramente, esse não é um mangá para todo mundo e requer paciência na leitura, muita. Ele é difícil, mas sabe recompensar bem aqueles que se envolvem na história. Aqueles que, de verdade, querem conhecer mais o universo que saiu da mente de Nisio Isin.
Como consideração final, só posso dizer: dê uma chance! Vale muito a pena. Abaixo vou deixar meu top 5 (em números apenas) de capítulos favoritos – não vou escrever o porquê gosto de cada um deles, pois irei fazer um texto sobre - &, apenas complementando, esse review não tem foco de entrar nos detalhes, para isso tem o post do All-fiction, que linkei no começo do texto, aqui é para apresentar a série do ponto de vista de alguém que tinha pré-conceito com a obra.
Enfim, sem mais delongas... por hora é isso, espero que tenham gostado e, ainda nos veremos mais vezes para falar de Medaka Box.

Meu top de capítulos:

  •          Capítulo 185
  •          Capítulos 138 – 140
  •          Capítulos 88 – 91
  •          Capítulo 55
  •          Capítulo 168 

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